Pior que tá,

Ah, mas que orgulho da nação do futebol, do carnaval, do deixa disso.
Compromisso pra quê? Entre um comício e outro a gente decide, dá um jeito.
No plebiscito a gente vota a favor do calhorda que melhor representar nosso suingue.
Enfim o brasileiro se sente capaz, poderoso. Propositalmente coroou um palhaço, fazendo jus ao adjetivo “abestados”.
Quantas outras vezes foram desta forma? Na preguiça de pensar e fazer, tomou-se a decisão sob um pretexto de protesto que nada mais é que um comodismo mascarado.
Já disse antes, é mais fácil viver na lama que assumir sua parte e fazer o que for preciso para mudar.
Não adianta falar de educação para quem não quer ler, não adianta propor um avanço que só será possível com a colaboração de todos. O negócio é esperar que caia do céu alguma esmola, e assim a gente “vai indo”.
A cada dia que passa, vestimos ainda mais a carapuça do ridículo. Essa turma que resolve tudo no auê, na folia, no boteco, na cachaça. Coisa mais linda mais cheia de graça, hoje a gente abraça amanhã a gente xinga.
Só não vou sair de casa porque o tempo tá nublado.

Pior que tá,

Quem primeiro chegar, primeiro levará

É isso aí, meu filho, quem tem boca vai a Roma. Toda vida é uma corrida pra chegar a qualquer lugar, então tu tens que ser rápido e forte, em ordem de importância. O resto é irrelevante, o sentimento e tuas ideologias ficam pra depois.
Quem primeiro chegar, primeiro levará. Nesta festa todo mundo é legal, todo mundo é igual, mas quando a música pára ninguém mede esforços para garantir o seu assento.
Não acredites no encanto por muito tempo, ele se quebrará antes que tu comeces a serenata. Quem tem boca vaia Roma. Logo, logo os homens virão aqui te perguntar qual o motivo desta palhaçada.
Não, meu filho. Isso é tudo hipocrisia, ilusão, inocência. A decência da sociedade está na capacidade de chegar mais rápido e ser compatível às idéias da massa. Desista dos teus sonhos; as pessoas se revoltam quando tocas na ferida, teus ideais políticos não mudarão o mundo e tua Bela Adormecida não dormirá até você chegar.
Habilidade, habilidade, posicionamento estratégico, é o que ensinam na faculdade.
Ah, claro, e tu achas que a vida é como nos filmes? Esqueça o destino, aquela velha idéia de vida perfeita. Ninguém vai adivinhar tuas vontades e muito menos realizá-las por você. Corra o máximo que puder. Fure a fila, fale pelas costas, tome na cara, beije o que vier, ame o que couber na palma da mão, só não me venha com esse papo de ética e moral.
Mas é justamente isso que tu não entendestes ainda. É preciso descer para crescer. Eu o digo porque te amo, meu filho, e sei que desse jeito não chegarás a lugar algum. Escove bem os dentes e clame aos céus muita sorte nesta vida.
Esta vida é tão nada, é tão fútil. Na verdade, todo o sentido dela é gozar o máximo que puder e garantir o teu enquanto é tempo.

Lembras daquela menina da festa? Ela se foi. Deixe que o vento encontre alguém melhor pra vocês.
Boa noite, meu filho, durma com os anjos. Amanhã é tempo de mudar.

Quem primeiro chegar, primeiro levará

Eu quis olhar pra trás, mas não olhei. Só o fiz quando não havia mais nada para ser visto. A porta se fora, a árvore, o prédio, a moça. E então eu parei, me virei e olhei pra trás como quem se despede de si mesmo. Eu deixava pra trás um pedaço de mim que me deu colo, sorriso e foi tudo o que eu sempre quis. Fui nadando até em casa. Foi tanta maré que já estou até ébrio de água salgada. Inútil tentar entender um sentido em tudo isso. Medo de ser feliz? Talvez. É bem mais fácil estar na merda pra chorar e reclamar de tudo do que assumir que a vida é doce e se entregar à felicidade. Mas será tudo? É que o pássaro nasceu pra ser livre e voar. Mas até o pássaro que é pássaro não é capaz de voar debaixo d’água.

Eu por ela

Faz muito tempo que não posto nada por aqui mas hoje, para quebrar o silêncio, me deparei com algo que me deu vontade de escrever.
Peço licença, pois pela primeira vez postarei um texto de alguém presente em minha vida que também escreve. Escreve alguma coisa boba pelo celular ou alguma lágrima inevitável que, por sua vez, descreve uma rota. Ainda que de encontro à maré, me guia.
Que a gente não sabe ou não quer andar, talvez por ser difícil e requerir mudanças, talvez por não ter a ajuda-mãe de atravessar a rua. Aos poucos vai-se vendo que é simples e fácil, basta ter atenção nos seus limites e na maré que vem como um obstáculo. Rápida e intimidante, mas  inofensiva quando se deixa passar e a observa do lado de lá da sarjeta.

“Como não lembraria… A gente vive correndo do tempo, horas para que passe mais rápido, horas mais devagar, e se pega com a maluca função de calendário ou relógio, para registrar marcos, voltar no tempo e fazer dele um misto de passado, presente e futuro.
Hoje é muito importante, sem apelo à data, mas foi num dia 17 que pude descobrir o Fellipe e conhecê-lo ao longo de intervalos de 17’s e de sentir saudade.
Te falo que tentar não foi a coisa mais fácil do mundo, mas certamente a mais correta, e não por querer marcar o tempo ou por viver lembranças, que estão a todo instante me cutucando, que se fazem lembrar – sim, das quais você possui ajuda de forças maiores – mas porque os encontros ainda são mágicos, pelo fato de estar com você tudo tornar- se mais colorido, expressão mais infantil no entanto altamente explicativa.
Eu sigo em frente por sentir vontade…
Vontade de mais uma vez sorrir com você, dançar com você, ir a lugares malucos com você ou simplesmente sentar horas num sofá para conversar coisas sobre o mundo, sobre Maira, sobre Fellipe, vontade de abraços intermináveis.
Ainda preocupo com você, de longe, ainda me vejo, as vezes, brigando com o tempo, igual uma teimosa.
Teimosa que sou com tudo o que quero que esteja presente na minha vida.
Obrigada, Fellipe, por perceber a necessidade de tentar e tentar comigo, de alguma forma, porque tão pouco adiantaria a minha teimosia sozinha.
Obrigada, de alguma forma, não me deixar te esquecer… desde o momento que o conheci e o que o tornou muitíssimo especial, tão único, tão Fellipe.
Obrigada por ainda dar ao tempo vontade de seguir, enquanto houver mágica, graça.
Gosto realmente de você, com a sinceridade de uma garotinha de 17 anos, mas com a força de uma mulher de 23.
Que haja mais 17 motivos, 17’s no mês, 17 dias, 17 minutos…
Que seja eterno enquanto dure.”

Eu por ela

2 Meses

Que não há o que temer. Nem o tempo nem o metro jantaram conosco ainda. A estrada está viva e o que a mantém assim é a certeza do abraço. Que durante algum tempo foi uma incógnita mas tornou-se certo após a segunda vez.
Você me deu mais do que razão. Me deu pressa e paciência, me ensinou o abraço, me fez pela primeira vez não temer o futuro e se hoje eu quero estar presente em minha vida agradeço muito a você. Que me deu o topo e alguns milhares de habitantes, luzes, estrelas. Me deu colo, berço. Que me deu algumas páginas de boas risadas e hoje está presente em minha cabeceira. Me é assunto e motivo de orgulho por onde eu vou.
E o que eu te dei? Algumas melodias por fazer, timidez de um menino e força. Força para não chorar quando em teu colo você me disse que eu não poderia ter aparecido em hora melhor.
E você me deu vida.
Hoje eu acredito e sei que posso me amar em alguém, e não é qualquer biscate de motel com o ego ferido que vai me convencer do contrário. Deixo as mentiras rolarem e não me importo mais em provar o que não foi. Hoje só me importo com um julgamento, e sei que você está longe de se deixar levar por qualquer coisa do tipo. Cada um sabe do que é e não sou eu quem vai perder o sono essa noite.
Porque ainda há muito o que sonhar. Dormindo ou não.

2 Meses

Discussão sobre religiosidade.

Hoje quando entrei na internet me lembrei de acessar o canal do PC Siqueira, que está sempre atualizado com vídeos engraçados que tratam do cotidiano. Sempre acompanho seus vídeos pois me identifico muito com seu modo de pensar e hoje duas atualizações me chamaram mais a atenção.
Descobri que, assim como eu, ele também é Ateu (não acredita em deus). Nos vídeos (que na verdade é um só dividido em duas partes) ele defende muito bem nossa causa.
Tenho pouco a falar por ele ter citado quase todos os meus “álibis”, mas gostaria de acrescentar que a principal razão pela qual eu não acredito em deus é acreditar que os acontecimentos da nossa vida são frutos dos nossos atos. Se hoje me der vontade de xingar todo mundo e sair por aí falando verdades pra quem eu achar que devo, vou colher como fruto a apatia de muita gente. Mas se por um acaso eu acordar de bom humor e resolver dar “bom dia” aos vizinhos, vou ter como retribuição uma relação no mínimo amigável com as pessoas. E eu não vejo deus nisso tudo. Não vejo razão em acreditar em quem afirma com toda a certeza de que há alguém superior a nós que criou a injustiça, a dor e que sabe tudo o que vai acontecer, as decisões que tomaremos, e que mesmo assim nós as tomamos por conta própria, como que pra completar um espaço neste enredo todo.
Se há mesmo o certo e o errado, o bem e o mal, e se este ser é assim tão superior, por que ele não dá a todos as mesmas oportunidades? Por que há a desigualdade?
Uma das maiores ‘armas’ usadas por aqueles que crêem em deus é perguntar “de onde veio o mundo, então?”, e quando, obviamente, o ateu diz não ter uma resposta, eles se julgam superiores por achar que conhecem-na.
Uma outra coisa que os religiosos dizem muito é “no que acreditar senão em deus?”. Eu digo que acredito nas pessoas (mais do que elas merecem), em seus amores e desejos, em seus medos e apegos, em seus atos.
Finalizo ressaltando a parte em que o PC disse algo a respeito de ser muito mais fácil, hoje em dia, acreditar em deus por ter as respostas prontas em sua mão, não te obrigando a no mínimo pensar nelas por conta própria.
Mas enfim, respeito quem tem qualquer religião. Essa é a minha opinião e exijo respeito também.

Divagações sobre Religião, Política e Futebol – Parte 1

Divagações sobre Religião, Política e Futebol – Parte 2

Discussão sobre religiosidade.

Ah, a puberdade!

Antes de qualquer comentário do tipo “nossa, que gay”, justifico que estes textos se devem ao momento frufru pelo qual estou passando.

Estou feliz com a forma como as coisas estão acontecendo, aos poucos. Por mais que eu tenha pressa por dentro, ela sabe que sabe controlar a situação (se é que seja alguma coisa do tipo pra ela). E por aqui eu vou alimentando meu desejo com a ânsia de me comunicar, aquele friozinho na barriga, aquela espera e as previsões. Aquela coisa tão púbere de ensaiar diálogos, prever reações às mil maravilhas.
Te encontrar de novo, “dividir segredos meus”. Quem sabe numa roda de violão eu possa cantar você. Mas que quando eu lembro desses teus olhos eu viro um moleque, sinto uma paixonite do tipo aluno e professora, inalcançável até os limites do imaginável. E por que não?
“Refaço meus planos pra rimar com os teus”, projeto soluções para os futuros “poréns”. Eu quero te ver, te achar, pois te ouvir falar me fez sossego. Não pude deixar de notar o sorriso em mim e até aquela coisa de “que será que se passa do lado de lá?”. Me divirto com os pólos das possibilidades, o “gatinho que te falei” ou o “coitado, ele não sai mais do meu pé”.
Mas não importa, não peço nada em troca e muito menos uma resposta. Estou bem assim e a mesma incerteza que me faz marejar me traz a esperança do cais.
Aliás, tudo é mais divertido quando não se tem certeza de nada e nem assume-se o compromisso de provar pra nós e pros outros aquilo que só o tempo dirá.
A distância nem é tão má assim, ainda espero te rever e prevejo ser mais patético do que aquelas pisadelas, mais sincero que aquele cafuné e um ou outro elogio que deixei escapar.
Mas e se não for nada?

Já foi.
Já é.
Estou vivendo com o melhor de mim cada segundo desse nosso namoro.
E eu ainda nem te contei.

Ah, a puberdade!