26
Out
09

Quem sou eu?

QUEM SOU EU cópia

20
Out
09

A cela zela pela vela que vela a alma.

vela

20
Out
09

Um dia eu explodo,
E aí vocês todos vão achar que eu sou louco
ou drogado
Mas eu vou internar vocês no mundo,
pra do meu manicômio eu assistir
vocês se comendo

10
Out
09

Invejoso – Arnaldo Antunes


O carro do vizinho é muito mais possante
E aquela mulher dele é tão interessante
Por isso ele parece muito mais potente
Sua casa foi pintada recentemente.

E quando encontra o seu colega de trabalho
Só pensa em quanto deve ser o seu salário
Queria ter a secretária do patrão
Mas sua conta bancária já chegou no chão

Na hora do almoço vai pra lanchonete
Tomar seu copo d’água e comer um croquete
Enquanto imagina aquele restaurante
Aonde os outros devem estar nesse instante

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço
Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

Depois você caminha até a academia
Sem automóvel e também sem companhia
Queria ter o corpo um pouco mais sarado
Como aquele rapaz que malha do seu lado

E se envergonha de sua própria namorada
Achando que os amigos vão fazer piada
Queria uma mulher daquelas de revista
Uma aeromoça, uma recepcionista

E quando chega em casa liga a tevê
Vê tanta gente mais feliz do que você
Apaga a luz na cama e antes de dormir
Fica pensando o que fazer pra conseguir

Invejoso
Querer o que é dos outros é o seu gozo
E fica remoendo até o osso
Mas sua fruta só lhe dá caroço

Invejoso
O bem alheio é o seu desgosto
Queria um palácio suntuoso
mas acabou no fundo desse poço

28
Set
09

Passeando por Um Barril de Risadas e Um Vale de Lágrimas – Parte Última

Ao ver a cena, Sarita teve de agir. Imediatamente gritou por Tom, que surpreso, deixou que Roger escapasse.
Sarita veio em direção de Tom, que já temia o que ela faria. E então ela começou a tirar o véu, como fosse a Princesa Petúlia, e Tom, com medo, tentou proteger seu rosto, para que não virasse pedra. Mas eu e vocês sabemos que isso seria uma coisa impossível de se acontecer, já que Sarita nada tinha a ver com o feitiço. Mas aconteceu.
Quando Sarita tirou o véu por completo, Tom virou pedra.
Roger e a Lady ficaram perplexos com o que aconteceu, mas felizes. Finalmente estavam juntos.
E então os dois foram embora com o gigante e a princesa.
Voltaram para o reino e fizeram uma dupla cerimônia de casamento, e até um castelo para cada casal (logicamente, o do gigante era maior).
Vez ou outra, em memória ao passado, os dois casais saíam a bordo de uma jangada atravessando o Vale de Lágrimas. A jangada era Teobaldo, o gigante.
Roger e Sarita tiveram um filho, e no batismo dele, o príncipe topou com J Imago Mago. “Você sabia que quase morri na busca que você inventou?” perguntou Roger.
“Foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida” rebateu o mago.
“Você sabia que por um triz eu não fracassei?”
“Mas você fracassou. Não que eu tivesse algo especial em mente, mas você não chegou ao lugar que deveria.”
“Quer dizer que não era para eu ter casado com a Lady Sarita?”
“Não. Era pra ter se casado com a princesa Dafne, que não teria sido, na verdade, melhor do que a escolha que fez.”

Princesa Dafne
Para quem se sentiu perdido, tentando lembrar quem era a tal princesa Dafne, não se preocupe, ela não era tão importante a ponto de entrar nessa estória.

Final feliz
Após sua conversa com J Imago Mago, e depois com Sarita, Roger resolveu que ao longo de sua existência poderia haver dezenas, centenas de outras buscas, buscas de todo tipo, à espera de quem quisesse ir atrás delas. Mas a pergunta era: onde, em que outro lugar, teria ele encontrado esta mulher? Ou este filho? Ou estes amigos?

BRVL5

21
Set
09

Passeando por Um Barril de Risadas e Um Vale de Lágrimas – parte quarta

Foi quando de repente Roger ouviu um homem chamado Andrew a gritar “Lucille, apareça! Esteja onde estiver, saia e apareça!”
Ao conversar com o rapaz, descobriu que ele estava procurando por sua esposa há 30 anos. Ela havia se perdido na Floresta Para Sempre na véspera do casamento, e até hoje a vida dele era procurar por ela.
Roger então sentiu que era necessário fazer alguma coisa, já que conhecia a Floresta. Andrew cuidou-lhe, deu banho, água e comida, e deixou a águia forte como que só.
Roger então partiu para a floresta, para socorrer a esposa de Andrew e o resto de seus amigos.
“Eu vou resgatá-la para você, mas você terá que fazer uma coisa: quero que capine neste matagal um coração de duzentos por cem metros, e então, quando ele estiver pronto, eu pousarei com a sua Lucille.”
Sem hesitar, Andrew começou a obra. Dias e dias se passaram, e o povo daquela fazenda estava curioso para saber da sua história.
Todos ficaram comovidos, e aguardavam ansiosos o dia em que o coração estivesse pronto.
Eis que amanheceu o décimo terceiro dia, e os aldeões avistaram lá longe Andrew voltando, com a ceifadeira no ombro e o coração terminado.
Começaram os aplausos, e ele mal pôde perceber que eram para um vulto negro que se aproximava pouco a pouco dele.
A águia trouxera sua amada, e o amor entre eles continuou o mesmo após 30 anos de solidão.
Fizeram então o casamento, e todos da fazenda festejavam. Menos Roger.
Roger ficou em um canto onde ninguém pudesse vê-lo. Refletia sobre como teria sido se os seus amigos da Floresta Para Sempre soubessem que a águia que os salvou era, na verdade, o príncipe que os tinha deixado para trás? Quem sabe até se recusariam a voar com ele.
E então, sem que ninguém percebesse, ele levantou vôo, rumo a lugar nenhum.
Sob a luz da lua, ele voou por um mar de reflexos prateados. Até que se sentia aliviado.
Foi quando de repente sentiu que perdia altitude, e percebeu que suas asas estavam voltando a ser mãos. E então ele caiu.

Vale de Lágrimas

Roger acordou, alguém o beijava. “Respire” dizia docemente a voz. E então ele se deu de cara com uma mulher de beleza estonteante.
Após muito conversar, ficou sabendo que aquela era a Princesa Petúlia. “Mas você não estava raptada por um gigante?” perguntou ele
“E estou. Ele está bem aqui, debaixo de nós.”
Foi aí que Roger percebeu que estavam em cima de um gigante que boiava, desacordado, no rio.
Petúlia o contou que havia se apaixonado pelo gigante, mas temia tirar o véu de seu rosto, com medo de que ele se tornasse pedra. “Engraçado, você não virou pedra!”
Ela contou também que o rio em que estavam fora preenchido com suas lágrimas, ao ver seu gigante quase morrer de fome.
Passaram-se alguns dias, e vez ou outra o gigante acordava, e até conversava com Roger e a princesa, que passavam o dia pescando para ele.
Petúlia contou a Roger que um dia uma folha caiu no rio, e ela a pegou. Pouco depois, a folha se transformou na Lady Sarita, que passou um tempo com ela e o gigante.
Um outro dia, Tom apareceu de repente e levou Sarita embora, que havia se disfarçado de Petúlia.
Roger então precisava sair em busca de Sarita, que estava raptada por Tom.
Muitos dias se passaram, e o gigante já estava se recuperando bem, até quando Petúlia decidiu levantar o véu para que ele lhe pudesse ver o rosto.
Não, o gigante não virou pedra. Pelo contrário, só melhorou ainda mais. Seu coração se tornou mais forte e permitiu que ele se erguesse, e levasse a princesa e Roger em busca de Sarita.

Pedra

Após muito tempo que a Lady passou com Tom, Roger apareceu para salvá-la. Os dois ficaram muito felizes, e se conversavam, esquecendo Tom de lado, que ficou furioso com isso.
Tirou sua espada e tentou golpear Roger, que nem precisava se esquivar, tamanha era a falta de coordenação de Tom. Ficaram ali mais de meia hora, até que Sarita se cansou e foi se banhar no rio. Demorou e demorou e demorou, e nada parecia mudar, até que Roger tropeçou e foi ao chão.
Vendo isso, Tom não poderia deixar escapar a chance de matá-lo, ainda que não quisesse fazê-lo.
Ainda que seu coração lhe dissesse para não matar seu amigo, ele ergueu a espada acima da cabeça, e preparou para matar Roger.

BRVL4

[Continua...]

19
Set
09

Passeando por Um Barril de Risadas e Um Vale de Lágrimas – parte terceira

Mas o destino foi cruel com Roger, e ao invés da folha que seria levada pelo vento, ele se transformou em algo tão pesado que para se mover alguns poucos centímetros, era preciso depositar uma força imensa.
Enquanto isso, na Floresta Para Sempre, os seus amigos procuravam por ele, sem encontrá-lo. Já Tom estava furioso com ele por tê-lo deixado para trás, e planejava se vingar.
Roger não sabia ao certo definir no que tinha sido transformado desta vez, mas ainda assim se esforçava para conseguir se locomover. Após dias de esforço, ele chega na margem de um precipício. Talvez uma pedra, um ovo, não sei. Era tudo ou nada. E então ele se jogou lá do alto.
Por incrível que pareça, não se sentiu mal enquanto caía, pelo contrário. Se sentia bem por estar indo para algum lugar.
E então bateu no chão, se partindo em pedaços. De dentro do ovo (pois nunca fora outra coisa senão ovo) subiu como uma flecha um filhote de águia.

O Vale da Vingança

Roger estava agora extremamente feliz por poder sobrevoar a Divisa Perversa. E foi indo, até se deparar com um vilarejo onde os moradores se xingavam, se batiam, ateavam fogo nas casas.
Era o Vale da Vingança. As pessoas lá se vingavam umas das outras sem um porquê, mas sempre se vingavam.
Um vizinho se irritava com o outro, que o xingava. E então aquele colocava fogo na casa desse, que roubava as crianças daquele, e por aí vai.
As famílias tinham de se mudar com frequência, mas nunca ninguém movia uma palha para mudar toda a situação.
Foi então que Roger, a águia, avistou um velhote roubando duas crianças indefesas. Com um rasante digno de admiração, a águia tomou as duas das mãos do malfeitor. Tomou altura e com elas voou por alguns minutos.
Aquilo foi o primeiro momento de alegria para aquele povo, que ria e ria, e pedia para que a águia também os levasse.
Desde então, o Vale da Vingança passou a ser o Vale das Horas Muito Felizes.
Depois de mudar completamente aquele lugar, e trazer alegria a todo aquele povo, Roger viu uma briga entre dois rapazes. Não era bem uma briga, pois apenas um dos homens espancava o outro a fim de matá-lo.
Roger então baixou vôo sobre o assassino, que tentou lhe atingir com uma flechada.
Pensamentos obscuros tomaram conta da águia: como alguém faria mal a uma águia que só trouxera alegria àquele povo?
E então mais uma tristeza para Roger: descobriu que o assassino era, na verdade, Tom, tomado por um sentimento mesquinho de vingança. Mas a águia não o deixou pra trás. Ela entendeu o amigo que se sentira traído, e o deixou em um lugar onde ele estivesse seguro e não pudesse causar mal a ninguém.
“Vou te deixar aqui, salvar nossos amigos na Floresta Para Sempre e depois te buscarei.”

Travessia do Mar de Gritos e incursão na Montanha das Más Intenções

Roger, após muito voar, deparou-se com um mar de onde se ouvia muitos gritos de socorro, e as ondas se pareciam com mãos suplicando ajuda. Baixou o vôo para tentar ajudar alguém que estivesse em apuros, mas após quase ter sido afogado por uma ‘mão’ traiçoeira, percebeu que o Mar de Gritos só queria matá-lo.
Passado o susto, continuou sua trajetória rumo à Floreta Para Sempre.
De longe avistou uma montanha, e sem prever o que o esperava, seguiu.
Quando se aproximava da montanha pôde ver algumas pedras saltando, e a cada vez passavam mais perto dele. Foi quando percebeu que as pedras, na verdade, estavam sendo atiradas nele. Desviou o quanto pôde. Voava em círculos, baixava e subia o vôo, tudo para confundir a montanha, que diminuía a quantidade de pedras.
Foi atingido então por algumas, e percebeu que além de pedras, a montanha jogava também bilhetes. Pegou o máximo desses bilhetes que a dor do apedrejamento pôde lhe permitir.
Estava exausto, ferido, na beira da morte.
Buscou um lugar para que pudesse tomar água, comer e ler os bilhetes, e então encontrou uma fazenda. Deitou-se no telhado de um celeiro, mas não teve forças nem para buscar água: adormeceu ali mesmo.
Ao despertar, começou a ler os bilhetes, que diziam coisas horríveis como “Seus amigos estão furiosos, você os traiu!”; “Tom quer vingança, e não há nada que possa fazer para mudá-lo!”; “Você é mais motivo de risos agora do que quando era príncipe!”; “Lady Sarita está morta e a culpa é sua!”.
Roger se sentiu à beira da morte, por dentro e por fora. Estava agora acabado, não tinha forças para nada. Os ferimentos causados pelo bilhete doíam mil vezes mais do que aqueles causados pelas pedras.
Sentou-se então para assistir sua vontade de salvar as pessoas ir embora. Só desejava que essa tormenta tivesse um fim. E então se sentou no celeiro, meio que cochilando, meio que morrendo.
A pouca disposição que lhe restou foi bastante apenas para pensar “um quarto pra toda perda é a solidão”.
Roger3

[Continua...]

17
Set
09

Um passeio por Um Barril de Risadas e Um Vale de Lágrimas – Parte Segunda

Eis que de tanto Roger insistir, Lady Sarita acabou cedendo pelo cansaço, e resolveu salvar o jovem príncipe.
Quando ambos já estavam seguros, no alto do rochedo, a Lady desatou a rir sem parar, e o príncipe teve de jogar em si o pó mágico para se transformar em um cão.
Foi a segunda vez que ela sentiu raiva dele. “Covarde, desapareceu de tanta vergonha de se mostrar!”
E então Sarita foi embora, com seu colar.
Muitos dias se passaram e Roger não parou de seguir a Lady. Descobriu que mesmo sob a pele de Roger, seus efeitos ‘gargalhásticos’ estavam diminuindo, e isso possibilitou uma aproximação de ambos.
Um dia, Sarita estava a escolher pedras para comer, já que na Divisa Perversa era tudo o que havia. O príncipe a interceptou, numa distância de trinta metros, e começaram a conversar.
Ele contou seu segredo, e ela não acreditou muito na história de que ele é um príncipe que faz a todos rir e se transforma em cachorros.

“Para dizer a verdade, você até que é… hã… bonita.” Disse ele.
Já a Lady não concordava, e se dizia ser um tipo comum, sem nenhum diferencial.
“Sou comum, não tenho nada de atraente, não sou vaidosa como as outras”
Mas Roger continuava a ver nela beleza, independente do que ela achava. Ela perguntava o porquê de seus sentimentos, e ele não sabia dar uma resposta. Mas eu e você sabemos que é a primeira vez que Roger se depara com uma mulher importante o bastante para ser citada nesta história.

Esquecendo um pouco dos flertes e voltando às pedras, Roger tentava bolar um plano para saírem de lá, mas nenhum agradava Sarita.
“Você não acharia meus planos tão horríveis se eu bolasse um que funcionasse.”
“Se você fizesse isso, eu ficaria agradavelmente surpreendida. E eu nunca fico agradavelmente surpreendida. Sempre que fico surpreendida, fico desagradavelmente surpreendida. Quando me perdi da princesa, foi uma surpresa desagradável. Quando saí pra buscar ajuda e vim parar aqui, outra surpresa desagradável. Fiquei tanto tempo aqui que me acostumei com as pedras, e nelas arrumei aconchego. E aí conheci você.”
“Eu sou uma surpresa desagradável?” perguntou-lhe o príncipe.
“Posso ser franca, mas não tão franca assim que seja capaz de lhe jogar um insulto na cara.”
“Obrigado” disse Roger, considerando-se lisonjeado.

Esqueci de contar anteriormente duas coisas a respeito de Sarita. A primeira é que ela era extremamente franca, sincera e pessimista. Jogava as verdades na cara de Roger, que só não desistia por um motivo sabe-se lá qual.
A segunda coisa é que Sarita era uma dama de companhia da princesa Petúlia, que havia sido raptada por um gigante.

E foi mediante a tanta franqueza e pessimismo de Lady Sarita que Roger se sentiu lisonjeado com aquela simples declaração. Vindo de uma pessoa assim, soa como um elogio.
Talvez por isso ele não tentou se safar sozinho da Divisa Perversa. Ele queria um plano para ajudar também sua Lady.
Ele queria vê-la feliz.
Mas ela se contentava com as pedras.

Foi então que Roger se viu forçado a novamente tomar uma decisão em sua vida, e pela primeira vez essa decisão envolvia mais alguém além dele próprio.
Pensou e pensou e pensou em um modo de sair dali com Lady Sarita.
“Talvez minha busca seja salvar a Princesa Petúlia, por isso tenho que ir com você pra fora deste lugar. E então, quando acharmos a Princesa Petúlia, eu a salvarei e casarei com ela.” Dizia Roger à Lady Sarita.
Após muito pensar, ele se lembrou do pó mágico e viu que ainda restavam alguns flocos, que serviriam para apenas e exatamente duas transformações.
Sem hesitar, ele tomou a decisão por ele e pela Lady (pois quando se ama, é preciso usar todas as cartas da manga e agir mais com o coração que com a cabeça) e jogou nela a primeira pitada.
De repente, Sarita se viu transformada em uma folha de árvore, sendo levada pelo vento.
“O que é que você fez comigo?”
Roger tentou desesperadamente agarrar a folha para que ela não fosse embora.
Tarde demais. A folha foi-se indo sem que ele pudesse reverter as coisas.
E a folha foi-se indo.
Roger depositou sua última esperança nas pitadas que restavam de pó mágico, esperando que se transformasse também em uma folha, para alcançar a Lady, e com ela voar.
Roger

[Continua...]

15
Set
09

Um passeio por Um Barril de Risadas e Um Vale de Lágrimas.

Era uma vez um príncipe chamado Roger. Ele causava um estranho efeito sobre as pessoas: não havia uma vez que chegasse perto de alguém sem que causasse gargalhadas incontroláveis. Não precisava contar piada, nem fazer palhaçadas. Sua presença bastava para que as pessoas rolassem de rir.
Não havia nada que estragasse o humor de Roger, tudo era visto como uma grande piada. Ria de tudo.
O Rei, seu pai, ficou preocupado com toda essa situação e pensou “quantas dessas risadas trazem de fato felicidade a Roger? Quantas trarão alguma coisa futuramente?”. E então o Rei decidiu que era necessário tomar alguma providência. Foi então que buscou um mago famoso no povoado, o J Imago Mago.
J Imago Mago descobriu que para não rolar de rir com a presença de Roger, era preciso despejar sobre este um pó mágico que o transformava em objetos diversos, como cadeiras, sapos, árvores e afins.
A conversa entre J Imago Mago e Roger não foi muito como o mago esperava, pois o príncipe caçoava de tudo o que era dito. Apesar disso, o mago foi direto e claro em sua conclusão: Roger sairia em busca de alguma coisa, sabe-se lá o quê, sabe-se lá onde, e o ponto de partida seria a Floresta Para Sempre.

A Floresta Para Sempre

Roger foi deixado na floresta pelo mago, junto a um pacote, onde havia uma porção ilimitada do pó mágico.
O príncipe começou a perceber que as gargalhadas não o levariam muito longe, então decidiu caminhar – e pensar. Descobriu o porquê do nome da floresta: para onde quer que andasse, nunca sairia dela.
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Na Floresta Para Sempre conheceu alguns amigos, dentre eles Tom, um caçador, que foi seu melhor amigo durante sua estadia na floresta (lembrando que para que Tom suportasse a presença de Roger sem se descontrolar de tanto rir, era preciso algumas pitadas do pó mágico).
Após alguns dias, meses e anos de permanência na Floresta Para Sempre, Roger começou a desconsiderar a missão estabelecida pelo mago, que ficou furioso com ele e decidiu que não mais seria ilimitada a porção do pó mágico.
Quando Roger percebeu isso, foi forçado a tomar a primeira decisão de sua vida. Pensou que quanto mais tempo ficasse na Floresta Para Sempre desperdiçando o pó, menos tempo teria para sua busca, e em pouco seus amigos morreriam de tanto rir. Literalmente.
Um dia, enquanto todos os habitantes da Floresta Para Sempre festejavam, Roger dedicou a si um tempo para pensar, na beira de um lago. Achou gozada a forma como estavam seus dedos do pé mergulhados na água, e disse “como é insignificante o tal do dedo mindinho”. Tentou imaginar como seria se o mindinho tivesse nascido ao lado do dedão, ou se todos os dedos do pé fossem invertidos “será que dessa forma, nós andaríamos de costas?”. E então, por mais idiota que parecesse sua idéia, decidiu andar de costas, a fim de sair da Floresta Para Sempre.
Foi andando, andando, andando. Sentia nos pés não mais terra e grama fofas, mas uma terra mais fina, dura, seca, até que se pegou andando em um rochedo. Não se virou para frente, com medo de dar de cara com a Floresta Para Sempre. Não dormiu, não comeu. Tudo o que via em sua frente eram rochas e mais rochas. Eis que de repente, seus passos não encontraram mais o chão, e ele despencou do precipício.
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A Divisa Perversa

Roger sentiu que tudo lhe tirara o chão, duas vezes seguidas. A segunda foi, com certeza, melhor que a primeira: não viu o chão da queda, não caiu de cara. Ao invés disso, estava suspenso no ar, com as calças presas em um pedaço de rochedo.
BRVL3
Sentiu-se salvo, mas, para onde ir? Subir era impossível, e descer lhe causaria a morte. Então Roger ficou ali, parado, por dias e noites, até que um dia, uma voz lhe acordou.
Lady Sarita era o nome da mulher que do alto gritava para o rapaz pendurado no rochedo.
Não pensem vocês que ela queria salvar Roger. Ela gritava a ele pois havia deixado cair seu colar, que coincidentemente caíra no pescoço de Roger.
Eles então começaram a discutir, pois Lady Sarita era extremamente teimosa e decidida, e não se deixava convencer nem ceder às opiniões de Roger.
Ela dizia que se puxasse ele pela corda, ele roubaria seu colar.
Ele dizia que se ela puxasse o colar, não o puxaria depois, e então se negou a entregar-lhe o colar.
O que aconteceu neste episódio, resumidamente (pois isso durou muuuuuito tempo) foi que Roger não queria se desfazer de sua vida, e Sarita não queria se desfazer de algo que julgava ser importante para ela.
Peço que não julguem a importância que Lady Sarita deu ao colar e a “chantagem” que Roger fez a ela. Isso não importa, mediante ao que se ocorreu posteriormente.
[Continua...]

03
Set
09

Me deixa aqui

Mais uma música minha, espero que gostem.

 

 Sei da dor que é partir, mas por favor,
Me deixa aqui.
Não quero que veja o quanto eu sofri,
E um quarto pra toda perda é solidão.
Um quarto pra toda perda é solidão.

Me perdoa se muito eu insisti,
E se o nosso fim deixará cicatriz.
Me perdoa se eu não fui pra você
O mesmo que é para mim
.
E é para mim
É para mim
E é para mim

Mas por favor, leva o sorriso que eu tanto busquei,
Que eu trago esses monstros pra perto de mim.
Pode ir agora, me deixa aqui
Com essas flores que eu mesmo colhi, pra plantar
Teu jardim e brotar um amor, pra te dar, pra sorrir.

Por favor, leva embora o beijo que eu dei,
Pra que eu não me lembre que um dia te amei.
Leva embora o abraço que trouxe a paixão,
E todas as frases que eu disse em vão.
Que um quarto pra toda perda é solidão.

Se o teu sacrifício não compensa a dor
Que de noite vem te assombrar,
Se é tão difícil se encontrar em outro alguém,
Se o medo é maior e não deixa seguir,
E nem mesmo a força que eu te prometi
É capaz
De mudar
Pra você
(Nada basta
Nada é tanto
Nada muda o que está aí)
(2x)

Refrão